domingo, 29 de setembro de 2013
TORMENTA
Autor: Jorge Ventura
Título: Tormenta
A certa hora o poema é só tormenta.
Naufrágio de versos num mar insone.
É vento ou vaga de uma luta sôfrega
ao farfalho de páginas e intentos.
A certa hora o poema é só tormenta.
Vela perdida em busca de um cais.
Angústia de quem se afoga no caos,
sedento por respostas tão somente.
A certa hora o poema é só tormenta.
Serpente marinha na orla marítima.
Surrealismo, imagem sombria,
o nada a nado, feroz e eminente.
A certa hora o poema é só tormenta.
Singra nas águas pelo sangue célere.
É noite profunda e manhã incerta.
Remo e rima soltos na correnteza.
terça-feira, 6 de agosto de 2013
DE BARRO E DE DOR
às bonequeiras do Vale do Jequitinhonha
mal se casam e não ficam:
depois das juras, mais juras
o último beijo e um adeus
vão trabalhar na lavoura
ou na construção civil
deixam-nas ao pó do pó
e tornam-se todas elas
nossas grandes artesãs
tão sofridas brasileiras
na pobre argila, a saudade e o
sacramento em forma de arte
selando o amor esculpido
tantas mulheres sozinhas:
são as bonecas-moringa
noivas de barro e de dor?
Ilustração: Murilo Martins
In "Faca de Ponta, Fogo de Palha" (Oficina Editores, 2012).
Assinar:
Comentários (Atom)
