terça-feira, 6 de agosto de 2013

A FARSA E A FORÇA





A FARSA E A FORÇA

Guardo cinco segredos
nos dedos desta mão.
Faço a soma dos medos
na folha de urtigão.
Tudo à volta entristece:
o ermo,o solo,o entrevero.
A farsa face a face
com a força mais fere.
Face invertida e falsa,
a façanha da foice.
Nem a farsa falsete,
nem a força forçada.

Há a recusa do chão,
só uma face ferida.
A farsa contra a força
é poesia impune.
Mas peço um canto santo
onde tão dura a farsa,
onde tão lume a força.
A fé já não me aplaca.
Ponto de desencanto,
eu canto minha prece
bem na ponta da língua,
bem na ponta da faca.

In "Faca de Ponta,Fogo de Palha" (Oficina Editores, 2002).

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